Psicologia Cognitiva

( 29 Votes )

   Denomina-se psicologia cognitiva o ramo na psicologia que trata do modo como os indivíduos percebem, aprendem, lembram e representam as informações que a realidade fornece. A psicologia cognitiva abrange como principais objetos de estudo a percepção, o pensamento e a memória, procurando explicar como o ser humano percebe o mundo e como se utiliza do conhecimento para desenvolver diversas funções cognitivas como: falar, raciocinar, resolver situações-problema, memorizar, entre outras.

 

   Jean Piaget é um os principais representantes da psicologia cognitiva, que ao contrário do que muitos pensam não construiu uma teoria da aprendizagem, mas uma teoria do desenvolvimento mental humano. Conforme Piaget a aprendizagem é entendida como o aumento do conhecimento e apenas ocorre aprendizagem quando o esquema de assimilação passa pelo processo de acomodação. Em outras palavras, para que alguém aprenda é preciso que haja uma reconfiguração da estrutura cognitiva (esquemas de assimilação) do indivíduo, resultando em novos esquemas de assimilação cognitiva.

 

   Dentre as correntes da psicologia cognitiva na atualidade uma das principais é a que aborda um enfoque voltado para o processamento da informação. Segundo esse enfoque, a cognição se efetiva por meio de uma seqüência de fases: a memória sensorial, a memória operacional e a memória permanente.

 

Memória sensorial

 

   A Memória sensorial é um sistema mantém uma precisa e completa fotografia do mundo como é recebido pelo sistema sensorial através dos órgãos de sentidos. Assemelha-se, conforme relata as imagens persistentes que em geral desaparecem em menos de 1 segundo, por volta de 0,1 a 0,5 segundos.
Ainda que a sensação seja efêmera, ela pode ser suficientemente forte para reter a atenção e atravessar as fronteiras da memória de curto prazo. Uma experiência com um lápis sendo movido em movimentos ondulatórios para trás e para frente defronte aos nossos olhos. Graças a este processo da memória, é possível ver um rastro seguindo o lápis, conforme ele é movimentado. O rastro não aconteceria caso o lápis estivesse sendo movimentado lentamente. Isso ocorre porque leva cerca de 10 ciclos para cada 5 segundos para manter a continuidade da imagem que passou.
Tais características do armazenamento da memória sensorial estão intimamente ligadas às características do tempo de resposta do sistema visual e, conseqüentemente, do tempo de feedback dos sistemas interativos.

 

Memória de Curto Prazo ou Memória Operacional

 

   A memória de curto prazo retém, de maneira diferente, o material armazenado provindo do sistema sensorial. Neste momento a informação armazenada não é uma imagem completa do evento, como acontece no nível da memória sensorial. Na verdade, a memória de curto prazo parece reter a imediata interpretação dos eventos.

 

   Existe uma diferença entre se lembrar da imagem, dos eventos e lembrar a interpretação destes eventos. Coisas como as últimas palavras de uma sentença que você acabou de escutar ou ver, o nome de uma pessoa ou um número de telefone pode ser retido na memória de curto prazo, mas sua capacidade é limitada. Apenas cerca de cinco ou seis itens que foram apresentados podem ser retidos. Pelo esforço consciente, pela repetição do material para si próprio é possível armazenar esse material na memória de curta duração por um tempo indefinido.


   A habilidade de manter coisas ativas na memória de curta duração através do treino dos itens é uma das características mais importantes da memória de curto prazo. Informações no armazenamento da informação sensorial não podem ser treinadas, pois o armazenamento dura apenas alguns décimos de um segundo e não existe forma de prorrogá-lo.

   Na memória de curta duração uma pequena quantidade de material pode ser retida indefinidamente, através de um ato de treinamento. Existe uma clara e eloqüente diferença entre a memória para eventos que acabaram de ocorrer e a memória para eventos ocorridos há algum tempo - um é direto e imediato, o outro é tortuoso e lento. Eventos que acabaram de acontecer ainda estão presentes na mente, eles nunca a deixaram de forma consciente. Tempo e esforço são necessários para introduzir novo material na memória de longo prazo. Eventos passados são absorvidos com esforço. Memória de curto prazo é imediata e direta e a de longo prazo é trabalhada e forçada.


Memória de Longo Prazo ou Memória Permanente

 

   A memória de Longo prazo é a mais importante dos sistemas de memória, e também a mais complexa. A capacidade de armazenamento dos sistemas de informação sensorial e de memória de curto prazo é bastante limitada, uma por uns poucos décimos de segundo e a outra por poucos itens, mas parece não haver limite prático para a capacidade da memória de longo prazo.

 

   Tudo que é retido por mais que poucos minutos deveria ficar no sistema de memória de longo prazo. Todas as experiências aprendidas, incluindo as regras de linguagem, deveriam ser parte da memória de longo prazo. De fato, muitos dos experimentos psicológicos podem ser considerados relativos aos problemas de manter, acessar e interpretar propriamente o material na memória de longo prazo.


   As dificuldades reais associadas à memória de longo prazo surgem, principalmente, de uma origem: o acesso. A quantidade de informações contidas na memória é tão grande que encontrá-las, de fato, deveria ser o principal problema. Ainda que as coisas possam ser encontradas rapidamente, até mesmo em um ato comum de leitura, o significado dos símbolos impressos na página deve ser interpretado através de um acesso direto e imediato para a memória de longo prazo. Os problemas associados com a capacidade de pegar um item correto dentre milhões ou bilhões que estão estocados, mostram a totalidade da estrutura de todos os estágios das etapas da memória.


   A maior parte das coisas no mundo tem uma estrutura sensível, o que simplifica bastante as tarefas da memória. Quando as coisas fazem sentido, correspondendo ao o conhecimento já adquirido, então o novo material pode ser entendido, interpretado e integrado ao material adquirido previamente. Agora se podem usar regras e limitações para ajudar a entender o que as coisas significam dentro de onde ela está inserida.
A estrutura de significado pode organizar as aparentes questões de caos e arbitrariedade. Parte da força de um bom modelo mental reside nessa habilidade de dar significado às coisas. Explanações e interpretações de eventos são fundamentais para o desempenho do usuário, ambas no entendimento do mundo e no aprendizado e lembrança. Aqui, modelos mentais desempenham o principal papel. Modelos mentais simplificam o aprendizado, em parte porque os detalhes do comportamento necessário podem ser derivados quando preciso.




Artigos Relacionados