A Natureza da Psicologia Cognitiva

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    A inclusão dos fatores cognitivos nas teorias da aprendizagem social de Albert Bandura e de Julian Rotter alterou o behaviorismo americano. Hoje, o impacto do movimento cognitivo é observado não apenas na psicologia behaviorista. Os fatores cognitivos são observados por pesquisadores em diversas áreas da disciplina: a teoria a atribuição da psicologia social, a teoria da dissonância cognitiva, a motivação e a emoção, a personalidade, a aprendizagem, a memória, a percepção e o processamento da informação na tomada de decisões ou  solução de problemas. Nas áreas aplicadas, como a psicologia clínica, comunitária, educacional e industrial-organizacional, também se observam a ênfase nos fatores cognitivos.

 

    A psicologia cognitiva é diferente do behaviorismo em vários aspectos. Primeiro, os psicólogos cognitivos dedicam-se a estudar o processo de aquisição do conhecimento e não apenas a mera resposta ao estímulo. Os principais fatores são os fatos e os processos mentais e não as conexões estímulo-resposta; a ênfase é dada à mente e não ao comportamento, o que não quer dizer que os psicólogos cognitivos ignorem o comportamento mas que as reações comportamentais não consistem no único enfoque da pesquisa. As respostas comportamentais constituem fontes de dedução para se chegar à conclusão sobre os processos associados a essas reações.

 

    Segundo, os psicólogos cognitivos estão interessados em saber como a mente estrutura ou organiza as experiências. Os psicólogos da Gestalt, assim como Piaget, argumentavam em favor da tendência inata de organizar a experiência consciente (as sensações e as percepções) em unidades e padrões de significado. A mente dá forma e coerência à experiência mental; esse processo é o objeto de estudo da psicologia cognitiva. Os empiristas e associacionistas britânicos e a psicologia do século XX derivada dessas teorias, behaviorismo skinneriano, insistiam em que a mente não é dotada de capacidade organizacional inata.

 

     Terceiro, os psicólogos cognitivos acreditam na atuação ativa e criativa do indivíduo em organizar estímulos recebidos do ambiente. O indivíduo é capaz de participar da aquisição e aplicação do conhecimento, participando intencionalmente de alguns fatos e optando por associá-los à memória. O indivíduo não é, como afirmam os behavioristas, respondente passivo às forças externas ou folhas em branco para o registro da experiência sensorial.




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